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1 de outubro de 2010

Relato do último fim de semana Dia 24/09 (sexta)

apresentação - " Batatas, Pinheiros e outras Histórias"

  sessão das 11:00hs
   Praça Vitor Civita

A pracinha pitoresca da editora Abril ganhou uma vida a mais nesse nublado dia, ali o teatro se fez e o público surgiu, estudantes, trabalhadores e o pessoal do Projeto Memórias que carinhosamente chamamos "os Velhos", também nos deram a honra, pois foram eles que colheram os relatos que dão vida ao espetáculo, muitos inclusive são descendentes dos personagens que abordamos.

Sandália e Raquel
Paraíba, Ceára prepare a placa de inauguração
Sérgio Lima (Seu Pedro)
o baile
Enquanto isso,  ali pertinho a poucos quilometros talves 1 ou 2, a Favela Real Parque ardia em chamas e a desgraça se fez.Uma grande coluna de fumaça negra se erguia no horizonte próximo anunciando a dor e o desespero do povo. (Caio)



 Sessão das 14:00hs
 sesc pinheiros


      última apresentação da primeira temporada, nosso companheiro Jõao Luis que nesse trabalho se desdobra na função de coringa, entrou em cena na pele do personagem Batata nessa apresentação. E relatou essa experiência:






         
Foi um belo dia, tudo começou com uma viagem agradável, de Praia Grande até Sampa, dentro de um carro confortável, em meio a distintos senhores e senhoras discutindo o futuro político do nosso país, um dialogo democrático conduzido pelo senhor Fernando, ótimo motorista, excelente baixista e exímio orador. Chegando em Gotham Sampa, para meu alivio, o metro funcionava em sua mais perfeita ordem, o que milagrosamente me permitiu chegar ao local da apresentação sem atrasos.
Um belo café da manha, nutritivo e revigorante nos foi oferecido dentro do Sesc, e logo após faríamos duas apresentações, com um intervalo para forrar um pouco mais nossas barriguinhas.
Na segunda apresentação, eu estaria na pele do famoso “Batata”, do Largo da Batata.
Realizamos a primeira apresentação, na qual Rogério Ramos, como o Batata, integrou-se ao universo da bela Praça Vitor Civita, um raro recanto suave para os trabalhadores e moradores da região de Pinheiros. O cortejo chegou trouxe sorrisos e despertou memórias, revivendo sonhos em meio a castigada realidade metropolitana.
Almoço, seguido de um cochilo preguiçoso dentro do Teatro Paulo Altran, e finalmente chega a hora da transformação. As roupas surradas, o rosto sujo, o saco preto para guardar seus humildes pertences, e o mais importante após a caracterização, por a cara na rua. Sentir os olhos do publico, evitando, julgando, e as vezes olhando com piedade para o pobre andarilho.
Chovia, e a sensação de estar desabrigado provocou-me certa angustia. Não ter para onde ir, e ao mesmo tempo, poder ir para qualquer lugar. Busquei no Sesc Pinheiros um refugio. Numa lata de lixo na entrada do prédio, encontrei um pacote de Baconzitos com algumas unidades, saboreei um ou dois e guardei a embalagem em meus pertences para caso a fome aperte mais tarde.
Na entrada do Sesc, um funcionário interpretado por Caio Martinez atira-me a berlinda novamente, evitando minha entrada, uma transeunte se compadece e me aconselha a entrar sem que ele me veja. Sigo seu conselho, enquanto um menino pergunta:
-Tio, você mora na rua?
-Moro.
-O que tem no saco?
-Minha casa.

Então o Batata assiste o espetáculo, é perseguido pelos inquisidores da fogueira da revitalização, agredido, pisoteado, enxotado, enfim, é tratado normalmente como o cotidiano urbano nos demonstra. E mesmo sendo constantemente removido, mesmo oprimido, mesmo excluído, ele se permite rir, dançar e encontra forças para impor-se e reclamar seu direito ao território e a liberdade. A banda de Pinheiros, prestando sua colaboração para a inclusão social, o convida para participar de sua ultima canção. Mas a banda passa, o baile acaba, e vem novamente o vazio, o adeus dos novos amigos que tem um lar aguardando seus retornos. E o Batata fica La, no olho da rua, esquecido por todos. Ate ser enxotado mais uma vez.
Antes de sair, mais uma “pesquisada” na lata de lixo, e para o alivio de minha garganta, encontrei uma caixinha de suco de laranja ainda com algum conteúdo liquido, ao qual sorvi imediatamente.
Em resumo, me sinto revitalizado.
                                                                           João Luis Pereira

  

Um comentário:

  1. Belo relato João,vc imprimiu no texto um olhar único sobre o espetáculo!!!Muito bOM ( João Luis esse tb parece com Jesus, mas esse é ariano diferente do João Paulo que representa Jesus da linhagem judeu/árabe)
    Caio

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