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6 de fevereiro de 2012

Carta de Santos - RBTR


          REDE BRASILEIRA DE TEATRO DE RUA
                             Carta de Santos


A Rede Brasileira de Teatro de Rua - RBTR, criada em março de 2007, em Salvador/BA, é um espaço físico e virtual de organização horizontal, sem hierarquia,
democrático e inclusivo. Todos os grupos de teatro, artistas-trabalhadores,pesquisadores e pensadores envolvidos com o fazer artístico da rua, pertencentes à
RBTR podem e devem ser seus articuladores para, assim, ampliar e capilarizar, cada vez mais, reflexões e pensamentos, com encontros, movimentos e ações em suas localidades.

O intercâmbio da Rede Brasileira de Teatro de Rua ocorre de forma presencial e 
virtual, entretanto toda e qualquer deliberação é feita nos encontros presenciais, 
sendo que seus articuladores farão, ao menos, dois encontros anuais de forma rotativa de maneira a contemplar todas as regiões brasileiras, valorizando as necessidades mais urgentes do país. Os articuladores de todos os Estados, bem como os coletivos regionais, deverão se organizar para garantir a participação nos encontros, além da continuidade dos trabalhos iniciados nos Grupos de Trabalhos (GT´s), a saber: 1) Política e Ações estratégicas; 2) Pesquisa; 3) Colaboração artística; 4) Comunicação. 

A Rede Brasileira de Teatro de Rua reunida de 26 a 30 de janeiro de 2012, no Centro de Formação para Apostolado de Santos (CEFAS), na cidade de Santos/SP, em seu
10º Encontro reafirma sua missão de:

• Lutar por um mundo socialmente justo e igualitário que respeite as diversidades;


•Contribuir para o desenvolvimento do fazer teatral de rua, possibilitando as trocas de experiências artísticas e políticas entre os articuladores da rede;

• Lutar por políticas públicas culturais com investimento direto do Estado por meio de fundos públicos de cultura, garantindo assim o direito à produção e ao acesso aos
bens culturais a todos os cidadãos brasileiros;

• Lutar pelo livre uso dos espaços públicos abertos, garantindo a prática artística e respeitando as especificidades dos diversos segmentos das artes cênicas, em acordo 
com o artigo 5° da constituição brasileira.



Os articuladores da Rede Brasileira de Teatro de Rua, com o objetivo de construir políticas públicas culturais mais democráticas e inclusivas, defendem:


• A criação da lei que instituirá o Programa de Fomento ao Teatro de Grupo e que a mesma assegure a participação do teatro de rua e contemple: produção, circulação, 
formação, trabalho continuado, registro e memória, manutenção, pesquisa, 
intercâmbio, vivência, mostras e encontros de teatro, levando em consideração as 
especificidades de cada região (ex: custo amazônico);


• Debater e criar junto ao poder público marcos legais para a plena utilização dos espaços públicos abertos, extinguindo todas e quaisquer cobranças de taxas, bem
como a excessiva burocracia para as apresentações de artistas-trabalhadores de rua;

• Ocupar prédios passíveis de serem considerados de utilidade pública e que não cumprem sua função social, transformando-os em sedes de grupos que desenvolvam
 ações continuadas;

• Que os editais federais sejam publicados no primeiro trimestre de cada ano com maior aporte de verbas, liberadas sem atrasos, respeitando-se os prazos estipulados 
pelo edital e a publicação da lista de projetos contemplados e suplentes, e a 
divulgação de parecer técnico de todos os projetos avaliados pela comissão;



• Que os editais sejam estruturados e divididos, pensando as realidades de cada Estado, e que sejam criadas comissões igualmente regionalizadas e indicadas pelos 
movimentos artísticos organizados de cada região, bem como a criação de 
mecanismos de acompanhamento e assessoramento dos artistas-trabalhadores e 
grupos fazedores das artes cênicas da rua;


• A representatividade do teatro de rua nos colegiados setoriais e conselhos das instâncias Municipal, Estadual e Federal;

• A aprovação e regulamentação imediata da PEC 150/03 (atual PEC 147), que vincula para a cultura, o mínimo de 2% do orçamento da União, 1,5% do orçamento dos estados e Distrito Federal e 1% do orçamento dos municípios;

• A criação de uma legislação específica para a cultura, já que a lei 8.666/93 não contempla as especificidades da área cultural;

• A extinção da Lei Rouanet e de quaisquer mecanismos de financiamentos que utilizem a renúncia fiscal, por compreendermos que a utilização da verba pública
 deve ocorrer por meio do financiamento direto do Estado, através de programas e editais em formas de prêmios elaborados pelos segmentos organizados da sociedade;

• Que sejam incluídas dentro das Universidades, instituições de ensino e escolas técnicas, matérias referentes ao estudo do Teatro de Rua, da Cultura Popular 
Brasileira e do teatro da América Latina;


• A valorização e financiamento das publicações e estudos de materiais específicos sobre teatro de rua e manifestações da cultura popular e sua distribuição, respeitando 
sua forma de saber enquanto registro.


Frente a um processo histórico, que prima pela higienização e pela criminalização dos movimentos sociais, a RBTR apóia e defende a luta da Associação dos Cortiços 
do Centro de Santos, que lutam pelo direito à moradia digna.



Defendemos também a ampliação dos recursos disponibilizados ao Fundo Municipal de Cultura de Santos, e que os mesmos sejam disponibilizados por meio de editais 
públicos, de forma transparente e com a participação da sociedade civil organizada.



Defendemos, ainda, avanços no processo democrático popular que envolve o Conselho Municipal de Cultura de Santos.

O Teatro de Rua é um símbolo de resistência artística, comunicador e gerador de sentido, além de ser propositor de novas razões no uso dos espaços públicos abertos.

Assim, instituímos o dia 27 de março, dia mundial do teatro e dia nacional do circo, como o dia de mobilização nacional por políticas públicas, e conclamamos os
artistas- trabalhadores de rua e a população brasileira a lutarem pelo direito à cultura e à vida.


Reunidos nestes cinco dias, deliberou-se que o próximo encontro, em 2012, será sediado na cidades de João Pessoa\PB, nos dias 20, 21, 22 e 23 de setembro.



“Teatro só faz sentido quando é uma tribuna livre onde se podem discutir até as últimas conseqüências os problemas do homem.”

Plínio Marcos


30 de janeiro de 2012
Santos/SP
Rede Brasileira de Teatro de Rua – RBTR